Lysias, filho de Baco

Importado recentemente pela Bracara de Curitiba, tive a oportunidade de provar o Lysias, um vinho regional alentejano produzido pela Herdade do Carvalhal (Portoalegre - Alentejo).
Esse tinto 2007, elaborado com as autóctones trincadeira, aragonês e alicante bouchet, estava na sua melhor forma.
A cor não tão brilhante e intensa (tipo rubi), tendendo mais para um tom granada, mostra que ele evoluiu. No nariz estava inicialmente um pouco fechado, natural para um tinto de 2007, mas melhorou bastante depois do contato com o frango defumado que o acompanhou, despertando uma lembrança de fruta vermelha mais madura e alguma especiaria que não consegui identificar.
Na boca apresentou uma boa maciez e com taninos muito bem equilibrados e álcool bem domado.
Sem dúvida que foge bem das obviedades modernas do Novo Mundo, tratando-se de um bom vinho gastronômico. 
Bom custo-benefício ! Abaixo da faixa dos R$35,00...


Calorias por taça de vinho

Para os preocupados com a balança, segue abaixo tabela de calorias elaborada pelo site Lifehacker.
Considerem que cada taça tem 140 ml do fermentado... Essa é em média a dose diária recomendada pelas pesquisas científicas, que proporcionam benefícios à saúde.
Como curiosidade, para  "Os Vigilantes do Peso" essa dose tem 2 pontos.

O Ótimo Scala Coeli com bacalhau

Todos nós sabemos que o único peixe que consegue combinar adequadamente com o vinho tinto é o bacalhau. Entenda-se como bacalhau verdadeiro o que está descrito abaixo:
    "O Cod Gadus Morhua é o Legítimo Bacalhau. É pescado no Atlântico Norte e considerado o mais nobre tipo de bacalhau. Tem coloração palha e uniforme quando salgado e seco; quando cozido, desfaz-se em lascas claras e tenras, de sabor inconfundível e sublime. É o bacalhau recomendado em todos os pratos da cozinha internacional." 


Muitos acreditam que essa combinação com os vinhos tintos seria pela característica "untuosa" do bacalhau, mas isso é um engano, pois a quantidade de gordura desse peixe não ultrapassa 1% (1g para cada 100 g do pescado). Ele é rico sim em proteínas de elevado valor biológico e altos teores de vitaminas (A, E, B6 e B12). De qualquer forma, ninguém duvida que o seu gosto marcante e muito diferente dos demais peixes, casa perfeitamente com vinhos até muito encorpados; até mesmo quando o bacalhau é preparado com determinados temperos e acompanhamentos, como é o caso do feito ao Brás da foto abaixo (ovo e muita cebola).



Para o encontro com esse Bacalhau ao Brás, "convidei" um legítimo regional alentejano da Adega Cartuxa (Fundação Eugênio de Alemida - Évora). O Scala Coeli 2009 é uma maravilha e precisa ser experimentado, já que está disponível no Brasil. A Cartuxa faz o Scala Coeli sempre com a melhor casta de cada ano e é sempre em monovarietal. Esse 2009 foi de 100% touriga franca (Ex. o 2007 foi elaborado com touriga nacional e o 2008 com a alicante bouschet).
Optei pela aeração e não me arrependi. Depois de cerca de 45 minutos no decanter, toda a exuberância da touriga franca estava presente: Aromas potentes de compotas e figo. Na boca percebi frutas maduras, principalmente ameixas, com taninos fortes mas elegantes. O melhor vinho que bebi esse ano !!!

Bons Brindes !

Vinhos de Minas e Goiás. Eles existem e são bons... Acreditem!

Na Expovinis 2013 da semana passada em São Paulo, dentre as "estrelas" de sempre e os "pesos-pesados" do mercado, dois stands se destacavam, se não pela fama, pelo menos pela curiosidade. Tratavam-se dos espaços dedicados aos vinhos produzidos em Minas Gerais e Goiás. 
Muito além do pão de queijo e do pequi, esses dois gigantes Estados da Federação mostravam suas caras, ou melhor, suas "videiras viníferas"... Além do esforço de ambos na busca pela qualidade para competir nesse disputadíssimo mercado, eles terão que trabalhar forte para derrubar o preconceito e a desconfiança de consumidores e comerciantes. E a melhor estratégia a meu ver é a degustação às cegas com os seus pares.
Do Sul de Minas, mas precisamente na Cidade de Andradas, temos a Casa Geraldo. Há 30 anos instalados nessa Região, podemos destacar os seguintes vinhos finos:
Shiraz Casa Geraldo 2012, o Sauvignon Alma, o Chardonnay Arte e o Reservado Cabernet/Merlot/Tannat (medalha de prata no V Concurso Internacional de Vinhos do Brasil-2010). 
Todos bem honestos e que merecem ser experimentados.


Da Serra dos Pireneus (Cocalzinho de Goiás), a Pireneus Vinhos e Vinhedos da produtora Adriana Carvalho nos surpreende com dois bons vinhos degustados durante a feira: 
O Bandeiras 2010, produzido com a barbera, uva italiana do Piemonte, que parece se aclimatou bem ao cerrado. Bem frutado e com acidez equilibrada, bem ao gosto do consumidor brasileiro.
O outro é o Intrépido Syrah 2010 (com percentual pequeno de tempranillo) com passagem em barrica francesa. Os produtores juram que tem excelente potencial de guarda. Precisamos conferir.

Bons Brindes !

"Delírio aromático" de um Sommelier.

A diversidade aromática de um vinho, principalmente daqueles mais estruturados é inquestionável, mas acho que devemos, pelo bem da credibilidade do mundo do vinho, evitar "delírios" ou cretinices que só ridicularizam o ritual de degustação de um bom fermentado de uva. Vejam o que o dito "renomado" sommelier canadense Guénael Revel escreveu na edição do seu "Guide des Champagnes et des Autres Bulles - Revel 2012" sobre o espumante da Casa Valduga,  o Maria Valduga...
-"Raro e de prestígio, com sabores atraentes de TORTA DE AMÊNDOAS (sic) , BOLO DE LIMÃO (sic) e frutas cristalizadas"...    Será que ele estava com fome ?

Menos Revel, por favor!