Esta semana eu e minha esposa participamos de mais uma tradicional degustação realizada pela SBAV-Rio na sua bela sede de Botafogo (Rua Martins Ferreira, 71). Promovida pela Domno, importadora do Grupo Valduga, com vinhos da França e Portugal.
Comandada pelo Diretor Social Affonso Nunes, que fez as honras da casa; Jones Valduga, Diretor Administrativo da Domno e o enólogo Márcio Mortari, Gerente Regional de Vendas apresentaram o seu portfolio de franceses e portugueses.
Foram degustados os seguintes vinhos:
Espumante Domno Ponto Nero Brut - Garibaldi/RS - Brasil
Produzido pelo método charmat (diferentemente do método champenoise, o vinho é submetido à segunda fermentação em tanques de aço inox e não na própria garrafa, sendo engarrafado sob pressão) pela própria importadora no Vale dos Vinhedos, com o corte de 60% de chardonnay, 30% de pinot noir e 10% de riesling.
Apresentou cor amarelo-palha, notas de frutas tropicais e maça; assim como acidez equilibrada e boa cremosidade.
Preço tabela: R$31,00
Bom custo benefício! Boa dica para as festas desse final de ano!
Antoine Moueix Bordeaux Blanc 2009 - França
Produzido pela vinícola do mesmo nome em Saint-Emilion/Bordeaux, esse branco feito 100% com sauvignon blanc, passa 6 meses em carvalho francês. Aromas de frutas cítricas e flores brancas, estava bem mineral e com acidez agradável.
Preço tabela: R$84,00
O preço é um pouco mais "salgado" que os diversos brancos disponíveis no mercado brasileiro, mas trata-se de um sauvignon blanc bem diferente que os chilenos e argentinos que estamos acostumados a beber com a mesma casta. Esse francês é bem mais estruturado e libera uma riqueza de aromas maior que os sulamericanos.
Catedral Dão DOC 2008 - Portugal
Com 50% de tinta roriz, 30% de alfrocheiro e 20% de touriga nacional; esse tinto produzido no Dão pela Vinícola Caves Velha do Grupo português Enoport se destacou na minha opinião pelo seu bom custo benefício. Passou 6 meses em carvalho. Notas de tostados, especiarias e frutas vermelhas.
Preço tabela: R$35,00
Boa dica para acompanhar o bacalhau do natal!
Magna Carta Reserva 2008 - Portugal
Também da Caves Velha, esse é do Alentejo com 40% syrah, 40% aragonês e 20% de alicante bouchet; passando 9 meses em carvalho fancês. Mostrou jovialidade, corpo médio, leve acidez e aromas frutados, principalmente ameixa e amora. A presença de madeira é também bem sentida.
Talvez possa até melhorar com o tempo.
Preço tabela: R$68,00
Um ótimo vinho e uma boa dica para aqueles momentos mais especiais. O preço não é nenhum absurdo.
Château Tour de Capet 2009 - França
De Saint-Emilion e da Antoine Moueix, esse tinto é um básico de Bordeaux com o tradicional corte da região: 80% merlot, 10% cabernet franc e 10% cabernet sauvignon. Passa de 12 meses em carvalho. Apresenta cor rubi, aroma de frutas vermelhas maduras e com boa estrutura na boca.
Preço tabela: R$138,00
Na minha opinião perde no custo benefício para os bons chilenos e argentinos na categoria que compete.
Chapelle Saint-Martin 2009 - França
Outro de Saint-Emilion da mesma vinícola acima. Outro corte tradicional da região mas com um tempo menor de barril que o Tour de Capet (6 meses). Os 70% de merlot, 25% de cabernet franc e 5% de cabernet sauvignon lhe dão uma cor vermelha mais para o grená, aroma intenso lembrando compota de frutas vermelhas e mirtilo, apresentando uma boa estrutura na boca.
Preço tabela: R$79,00
Tem preço e estilo para brigar no mercado brasileiro. Vale a pena provar.
Quinta do Boição Special Selection 2008 - Portugal
Da Caves Velha mas da Região de Estremadura (Lisboa DOC), esse tinto com 60% de touriga nacional e 40% de syrah não decepcionou, tornando-se na minha opinião e da minha esposa a estrela da noite. Um grande vinho que pode com certeza evoluir ainda mais nos próximos 4 anos. Talvez mereça uma decantação. Passou 12 meses em barricas de carvalho francês. Cor vermelha mais escura, notas de especiarias muito finas em companhia de um ligeiro tostado; alguns presentes na degustação preceberam um verdareiro "molho de tomate rico em majericão". A baunilha também estava presente no aroma. Grande volume na boca, encorpado e vigoroso.
Preço tabela: R$215,00
Por conta do preço, que eu acho justo pela qualidade desse caldo, deve ser reservado para momentos especiais e de preferência decantando-o no mínimo 1 hora antes do consumo.
Grande pedida !
Um bom francês
Todos nós sabemos que não e fácil escolher um bom (e barato) vinho francês aqui no Brasil, principalmente ser for um de Bordeaux. Essa Região do Sudoeste da França e próxima ao Oceano Atlântico possui cerca de 13 mil produtores cultivando mais de 100 mil hectares. Sua produção anual está na casa das 660 milhões de garrafas, tornando-a a maior produtora de vinhos finos do Mundo. Esses números impressionantes tornam a tarefa de separar o joio do trigo bem difícil para aqueles que não são profundos conhecedores da "geografia comercial" local. Bordeaux pode tanto produzir grandes e ótimos fermentados de Baco, como da mesma forma jogar no mercado verdadeiras porcarias.
Achar nos supermercados brasileiros um bom Bordeaux com custo abaixo dos R$50,00 é às vezes uma missão quase sempre frustrante. Bem, "arrisquei" uma compra de um no Supermercado Mundial (presente somente no Rio) pelo valor de R$36,00 (um grande risco) e me surpreendi positivamente.
Trata-se do "Tertre de Calon 2009", produzido pela Maison Querre na famosa sub-região de Saint-Emilion. Ele é produzido com 80% de merlot e 20% de cabernet franc, com a quantidade ideal de álcool (para o meu gosto)12,5%.
O paladar é rico, macio e com frutas vermelhas. Estava bem equilibrado.
Com esse preço, concorre tranquilamente com os bons chilenos e argentinos da mesma faixa.
Bons brindes e teste os franceses!
Achar nos supermercados brasileiros um bom Bordeaux com custo abaixo dos R$50,00 é às vezes uma missão quase sempre frustrante. Bem, "arrisquei" uma compra de um no Supermercado Mundial (presente somente no Rio) pelo valor de R$36,00 (um grande risco) e me surpreendi positivamente.
Trata-se do "Tertre de Calon 2009", produzido pela Maison Querre na famosa sub-região de Saint-Emilion. Ele é produzido com 80% de merlot e 20% de cabernet franc, com a quantidade ideal de álcool (para o meu gosto)12,5%.
O paladar é rico, macio e com frutas vermelhas. Estava bem equilibrado.
Com esse preço, concorre tranquilamente com os bons chilenos e argentinos da mesma faixa.
Bons brindes e teste os franceses!
Teor alcoólico
Para aqueles que bebem vinho há mais de 20 anos já devem ter percebido uma mudança no paladar desse fermentado ultimamente. Isso se deve ao incremento do teor alcoólico, moda criada principalmente pelos produtores da Califórnia, sob as bençãos do polêmico crítico americano Robert Parker. É bom salientar que os californianos que participaram do famoso "Julgamento de Paris" (1976) e ganharam dos franceses em uma degustação às cegas, tinham e têm ainda um teor de álcool baixo.
Em um passado mais longínquo, quando o homem começou a fermentar o mosto da uva, a graduação alcoólica provavelmente não ultrapassava os 11°. Naquela época, as leveduras naturais (ou "selvagens") presentes no ambiente não conseguiam fermentar o açúcar em uma graduação alcoólica superior à esses 11°, no máximo 12°. Essa tradição de vinhos finos e elegantes com essa graduação ainda perdura no Velho Mundo, principalmente na França, Portugal e Itália. Para se ter uma ideia, um dos mais famosos do mundo o Petrus, feito só com merlot tem em média 13%.
Com o desenvolvimento das técnicas de vitivinicultura, em especial a biotecnologia, onde leveduras são modificadas geneticamente ou criadas em laboratório, conseguiu-se que o teor alcoólico passasse a bater a casa dos 14/15°, alguns já chegando quase aos 17°, um verdadeiro "fortificado". Lógico que em regiões mais ensolaradas e quentes como o oeste americano, o teor de açúcar tende a aumentar nas uvas, proporcionando vinhos mais potentes. São as chamadas "Bombas de Álcool e Frutas". Como esses vinhos são mais "fáceis" de beber pela população em geral, essa tendência ganhou corpo no Novo Mundo. Chilenos e argentinos começaram a produzir mais e mais vinhos com mais e mais álcool, agradando críticos das revistas especializadas com pontuações elevadas. Formou-se o ciclo vicioso: "Vinho com mais álcool-pontuação alta-maior venda-vinhos com mais álcool..."
Além disso, começaram a aparecer vinhos com "toques" de madeira, mesmo que esses não ficassem muito tempo em barris. A técnica era adicionar pedaços de carvalho nos tanques para dar o tom no aroma.
Já há um movimento contra essa "fortificação" ou "artificialização". Muitas revistas especializadas já debatem o tema, mas ainda é uma minoria os que defendem um freio nesse avanço na produção do vinho fácil. De qualquer forma, o espaço e mercado para os vinhos mais elegantes (em torno dos 12/13°) sempre estarão garantidos.
Vamos ver!Bons Brindes e maneire no álcool!
Um chileno e um argentino no jantar
Em recente jantar em minha casa, tive a grata surpresa de experimentar dois ótimos exemplares da vitivinicultura chilena e argentina.
O casal amigo Cury e Tânia levou uma garrafa da Viña Von Siebenthal Carmenère 2010 Gran Reserva. Essa Vinícola foi fundada em 1998 por um advogado suíço no Vale do Aconcagua, região que fica a 90 km de Santiago. Seus vinhos são considerados hoje um dos melhores do Chile. Esse Gran Reserva feito com 85% de carmenère e 15% de cabernet sauvignon é simplesmente fantástico, recebendo 90 pontos do famoso e polêmico crítico americano Robert Parker. Ele envelhece 12 meses em barricas de carvalho, sendo que 30% de primeira utilização.

Possui cor vermelha brilhante. Os Amigos presentes perceberam aromas de frutas vermelhas, caramelo e madeira. Na boca sentimos um corpo médio e com notas levemente doces. Consideramos também uma excelente acidez final. O único problema dele é o preço, pois dificilmente vocês encontrarão por menos de R$100,00 aqui no Brasil. Obrigado Cury e Tânia por essa oportunidade!
O segundo exemplar foi levado pelo casal Márcio e Jussara. Para aqueles que acham que a Terra do Maradona só produz malbec, estão muito enganados. Existem excelentes vinhos produzidos a partir da cabernet sauvignon, e esse Trapiche Medalla 2006 é um grande exemplo disso. Em todas as listas dos melhores argentinos, ele aparece sempre em destaque. Eu diria sem medo de errar, que esse Medalla 2006 é um dos melhores cabernet sauvignon do Novo Mundo.

Negligenciando a necessidade de decantação, que seria o mais indicado, partimos para a abertura imediata da garrafa. Ao abri-la, visualizamos um vermelho-granada com reflexos alaranjados e até de tijolo, indicando que tinha sofrido algum envelhecimento, ou pior, também de "decadência". Como o vinho era de 2006, havia uma preocupação quanto ao armazenamento, pois o Márcio o tinha recebido recentemente de presente.
Para alívio de todos e a despeito de não termos decantado antes, ele foi a estrela da noite.
Essas foram as notas identificadas pelos presentes:
Olfato - Frutas vermelhas maduras, compotas, baunilha e alguma pimenta e tabaco.
Boca - Taninos intensos e potentes, deixando um gosto residual bem longo e agradável.
Seu preço no mercado brasileiro gira em torno dos R$90,00.
Bons Brindes e Salve o Chile e a Argentina!
O casal amigo Cury e Tânia levou uma garrafa da Viña Von Siebenthal Carmenère 2010 Gran Reserva. Essa Vinícola foi fundada em 1998 por um advogado suíço no Vale do Aconcagua, região que fica a 90 km de Santiago. Seus vinhos são considerados hoje um dos melhores do Chile. Esse Gran Reserva feito com 85% de carmenère e 15% de cabernet sauvignon é simplesmente fantástico, recebendo 90 pontos do famoso e polêmico crítico americano Robert Parker. Ele envelhece 12 meses em barricas de carvalho, sendo que 30% de primeira utilização.
Possui cor vermelha brilhante. Os Amigos presentes perceberam aromas de frutas vermelhas, caramelo e madeira. Na boca sentimos um corpo médio e com notas levemente doces. Consideramos também uma excelente acidez final. O único problema dele é o preço, pois dificilmente vocês encontrarão por menos de R$100,00 aqui no Brasil. Obrigado Cury e Tânia por essa oportunidade!
O segundo exemplar foi levado pelo casal Márcio e Jussara. Para aqueles que acham que a Terra do Maradona só produz malbec, estão muito enganados. Existem excelentes vinhos produzidos a partir da cabernet sauvignon, e esse Trapiche Medalla 2006 é um grande exemplo disso. Em todas as listas dos melhores argentinos, ele aparece sempre em destaque. Eu diria sem medo de errar, que esse Medalla 2006 é um dos melhores cabernet sauvignon do Novo Mundo.
Negligenciando a necessidade de decantação, que seria o mais indicado, partimos para a abertura imediata da garrafa. Ao abri-la, visualizamos um vermelho-granada com reflexos alaranjados e até de tijolo, indicando que tinha sofrido algum envelhecimento, ou pior, também de "decadência". Como o vinho era de 2006, havia uma preocupação quanto ao armazenamento, pois o Márcio o tinha recebido recentemente de presente.
Para alívio de todos e a despeito de não termos decantado antes, ele foi a estrela da noite.
Essas foram as notas identificadas pelos presentes:
Olfato - Frutas vermelhas maduras, compotas, baunilha e alguma pimenta e tabaco.
Boca - Taninos intensos e potentes, deixando um gosto residual bem longo e agradável.
Seu preço no mercado brasileiro gira em torno dos R$90,00.
Bons Brindes e Salve o Chile e a Argentina!
Dois bons brasileiros
Todos sabem da evolução na qualidade dos vinhos nacionais, principalmente nos últimos 10 anos, pena que os bons vinhos nacionais, que estão entre os melhores do Mundo, sejam tão caros.
De qualquer forma, aí vão duas boas dicas:
A primeira é produzida pela gigante Miolo no Vale dos Vinhedos (Bento Gonçalves). Trata-se de um dos ícones da casa (o outro é o Lote 43), o Merlot Terroir, cuja a safra 2005 foi premiada em uma degustação às cegas em Londres. Eu bebi o 2008 e realmente é muito bom.
Não tenho dúvida que a uva "símbolo" brasileira será a merlot, pois ela encontra terreno apropriado na Serra Gaúcha. Ela é menos tânica que a cabernet sauvignon e a malbec e de maturação mais precoce, com aromas marcantes de frutas vermelhas escuras e maduras.
A Loja virtual da Miolo está vendendo cada garrafa por R$75,00, mas o preço não deve variar muito disso no mercado, mas não é fácil de achá-lo. A premiada e famosa safra 2005 é mais rara de encontrar e não sai por menos de R$120,00.

A segunda dica vem de um produtor pequeno também do Vale, a Don Laurindo. Eles produzem o excelente Don Laurindo Reserva 2008, um corte de malbec, tannat e ancellotta.
Sua cor é de um vermelho rubi intenso, muito agradável e frutado, com aroma presente de carvalho, mas sem exagero. No paladar é sedoso e agradável. O surpreendente é o seu baixo teor alcoólico de somente 12°, já que a tendência do Novo Mundo é por vinhos muito mais graduados.
No mercado ele está custando em torno de R$65,00.

Abraços e Bons Brindes!
De qualquer forma, aí vão duas boas dicas:
A primeira é produzida pela gigante Miolo no Vale dos Vinhedos (Bento Gonçalves). Trata-se de um dos ícones da casa (o outro é o Lote 43), o Merlot Terroir, cuja a safra 2005 foi premiada em uma degustação às cegas em Londres. Eu bebi o 2008 e realmente é muito bom.
Não tenho dúvida que a uva "símbolo" brasileira será a merlot, pois ela encontra terreno apropriado na Serra Gaúcha. Ela é menos tânica que a cabernet sauvignon e a malbec e de maturação mais precoce, com aromas marcantes de frutas vermelhas escuras e maduras.
A Loja virtual da Miolo está vendendo cada garrafa por R$75,00, mas o preço não deve variar muito disso no mercado, mas não é fácil de achá-lo. A premiada e famosa safra 2005 é mais rara de encontrar e não sai por menos de R$120,00.
A segunda dica vem de um produtor pequeno também do Vale, a Don Laurindo. Eles produzem o excelente Don Laurindo Reserva 2008, um corte de malbec, tannat e ancellotta.
Sua cor é de um vermelho rubi intenso, muito agradável e frutado, com aroma presente de carvalho, mas sem exagero. No paladar é sedoso e agradável. O surpreendente é o seu baixo teor alcoólico de somente 12°, já que a tendência do Novo Mundo é por vinhos muito mais graduados.
No mercado ele está custando em torno de R$65,00.
Abraços e Bons Brindes!
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